Caminhos de Navegação

 
 Enquadramento
 

O Guadiana foi uma das principais rotas de navegação do sul da Península, e por isso, desde o neolítico foi lugar privilegiado para a fixação de populações.

Mais recentemente, permitiu entre 1858 e 1965, o escoamento do minério proveniente das minas de São Domingos. Com o fim da exploração mineira, e cessando a navegação comercial regular, a navegabilidade do rio perdeu importância, tendo deixado de ser efetuada a manutenção do canal, ocorrendo assim ao longo dos anos sedimentação e alteração dos fundos.

Não obstante, desde finais da década de 80 que este rio, navegável até Mértola, tem vindo a constituir-se como um atrativo turístico, verificando-se um crescente aumento do tráfego de embarcações turísticas e de recreio e, consequentemente, das atividades marítimo-turísticas na região. Todavia, não estando então reunidas as condições consideradas necessárias a uma navegação segura, teria de se proceder ao desassoreamento do canal navegável, assinalá-lo convenientemente e produzir a cartografia náutica correspondente. Assim, as autoridades portuguesas e espanholas prepararam projetos no sentido de tornar de novo navegável um rio de enorme importância para Portugal e Espanha.

Nestes termos, o restabelecimento das condições de navegabilidade no Guadiana, desde a sua foz até Mértola, foi dividido em três fases, correspondentes a três troços:

  • 1.ª fase: Troço internacional entre Vila Real de Santo António e Alcoutim, concretizada através do projeto “Guadiana – uma via navegável”, cofinanciado pelo FEDER, no âmbito Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal 2007-2013 (POCTEP 2007-2013), e que permitiu estabelecer um canal seguro com as seguintes condições de navegação: canal navegável com uma largura mínima de 30m, e cota de serviço de -2.00m ZH, embarcação de projeto de 70m de comprimento, boca de 10m e calado de 1.80m, raio mínimo para curvas de 210m e visibilidade das luzes das balizas a 2 milhas de distância.
  • 2.ª fase: Troço internacional entre Alcoutim e Pomarão, encontra-se atualmente em curso, através do projeto “Guadiana: Património Natural Navegável”, aprovado no âmbito do Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal 2014-2020 (POCTEP 2014-2020). Este projeto tem como objetivos reabilitar a navegabilidade do rio no troço internacional entre Alcoutim e Pomarão, nas condições de navegação acima indicadas, bem como reabilitar infraestruturas portuárias existentes em ambas as margens;
  • 3.ª fase: Troço exclusivamente nacional, entre Pomarão e Mértola, que ainda não tem financiamento assegurado, e possui constrangimentos de natureza técnica e ambiental, tais como a sinuosidade do canal, o fundo ser parcialmente rochoso e parte do troço se inserir na área protegida do Parque Natural do Vale do Guadiana. Já foram executados levantamentos topo-hidrográficos preliminares e está previsto um levantamento topo-hidrográfico de pormenor, a executar durante o ano de 2018, para a definição das condições de navegação a implementar neste troço, preconizando-se uma embarcação de projeto de 25m de comprimento, boca de 6m e calado de 1.0m.